segunda-feira, 30 de julho de 2012


Alguém que passou no Porto de Lapa das Pombas pensava exactamente como eu e deixou-o "escrito" na cerca.
Obrigada Desconhecido :)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012


Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama; 
que o meu coração seja igual a ti, poente! 
descobre em mim o eterno, o que arde, o que ama, 
...e o vento do esquecimento arraste o que é doente!

Juan Ramóm Jiménez




segunda-feira, 16 de julho de 2012


Que nenhuma estrela queime o teu perfil


Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.


Sophia de Mello Breyner Andresen




Mesa dos sonhos

Ao lado do homem vou crescendo

Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente

Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas

Ao lado do homem vou crescendo

E defendo-me da morte povoando
de novos sonhos a vida.

Alexandre O'Neill


domingo, 8 de julho de 2012




Roeste-me livros e sapatos (ainda tenho ambos), gostas de meias para brincar e de ter uma t-shirt na tua cama, que substituis descaradamente pela minha!
Adoptas os meus amigos e recebê-los é sempre uma festa, ruidosa e movimentada.
Partilhas comigo onze anos de momentos bons e menos bons, sempre atento, amigo e pronto para mais uma brincadeira.
Nunca como uma bolacha sem ter à minha frente os teus olhos de "estou cheio de fome" e claro, divido-as sempre contigo!
Podia falar dos dias de tosquia e banho e da tua paciência infinita, da tua sombra quando ando pela casa estar da lado da minha, da convivência com os gatos (eu sei que vais comer a ração deles), de gostares de andar de carro com as orelhas de fora e como isso acaba sempre em espirro no meu pescoço!!!
Obrigada  Dominó por partilhares este tempo comigo, é bom acordar e ver o teu focinho e ter-te todos os dias à minha espera  :)



Fotos de/com amigos



sábado, 7 de julho de 2012



Tudo o que não sabes



Que sabes tu
do compasso da valsa,
dos monstros que habitam os sonhos
ou dos olhares que pernoitam
nas calçadas polidas.

São aos milhares
os pensamentos fragmentados,
os nomes que desconheço do teu nome,
o hoje que já é amanhã.

Corre-me nas veias
um sentir de eternidade,
a magia das farsas de Shakespeare,
o nascer duma alma maior,
a fina linha
que segura a espada de Dâmocles.

Que sabes tu
sobre o meu livro de recordações,
do meu amar,
do meu saber esperar,
do meu diário de mágoas.

Os meus poros recusam-se a fechar,
transpiram o infinito,
e a seiva tatua-me a pele.

Que sabes tu
se eu próprio não sei de mim.

  Francisco Valverde Arsénio






Digo SIM!



Teci escarpas e sentimentos,
sequei fontes e despi rosas,
pesquei ondas vadias na superfície dos mares
e dialoguei com os ventos e as marés.

Sim, capturei fantasias nos teus gestos,
almejei a madrugada nas altas horas da noite
e dormi sonhos estafados de segredos.

Sim, o pensamento morde-me as entranhas,
as pontes ficam quietas,
os rios riem-se das margens
e os riscos da minha caneta ficam difusos.

Quero ser leve,
despojado de existência
e banhar-me nas mais belas enseadas.

Sim, podemos não ser almas gémeas
nem ter asas no coração,
mas guardo pérolas nos dedos
e oferto-as em cada toque no teu corpo.

Sim, posso ser a próxima primavera
se fores o estio que desponta nas manhãs de inverno.


 Francisco Valverde Arsénio


quarta-feira, 4 de julho de 2012



Reflexões


Ainda não sei bem


mas parece que renasci nestes dias vagos.
Não, não morri nas noites inventadas do nada,
não me sentei numa nuvem qualquer
ou dei pontapés na lua.

Recordo que me pediste um sonho
onde não houvesse estrelas,
e uma estação do ano
despida de nadas,
em que o cinzento do fim do dia
entrasse pela porta,
errante
e vagamente absorto,
onde o vento seguisse
pela rota traçada no sono…
invisível…
tétrico…
rasgado…
e me preocupasse apenas
com as linhas do teu rosto.

Sim, renasci nestes dias fora de gestos,
lavei palavras manchadas,
expurguei outras,
e diluí-me no sulco da minha essência.

  Francisco Valverde Arsénio


terça-feira, 3 de julho de 2012




Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer



Geraldo Vandré


http://youtu.be/qROIqOnprvU