terça-feira, 29 de janeiro de 2013



" o meu poema fala de anjos e de anjinhos
de mentecaptos e de espíritos malignos
de ti de mim de nós
de uma ave alada que incendeia a planície
de uma manada de elefantes na savana
e de um barco perdido e dos seus náufragos.
quem poderá deter esta corrente e estes ventos?
por um acaso do destino todos somos náufragos."

JAR
(José Antunes Ribeiro)





sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Ruas de Lisboa








Os meus encantos!!!



Crepúsculo

É quando um espelho, no quarto,
se enfastia;
Quando a noite se destaca
da cortina;
Quando a carne tem o travo
da saliva,
e a saliva sabe a carne
dissolvida;
Quando a força de vontade
ressuscita;
Quando o pé sobre o sapato
se equilibra...
E quando às sete da tarde
morre o dia
- que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz lívida, a palavra
despedida. 


David Mourão-Ferreira


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013



Tu eras também uma pequena folha 
que tremia no meu peito. 
O vento da vida pôs-te ali. 
A princípio não te vi: não soube 
que ias comigo, 
até que as tuas raízes 
atravessaram o meu peito, 
se uniram aos fios do meu sangue, 
falaram pela minha boca, 
floresceram comigo.

Pablo Neruda



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013



Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. 
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos 
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. 
(Enlaçemos as mãos). 

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida 
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, 
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado, 
Mais longe que os deuses. 

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. 
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio. 
Mais vale saber passar silenciosamente. 
E sem desassossegos grandes.

Fernando Pessoa



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013



"Se não mudar de caminho vai acabar sempre onde começou"
Proverbio Chinês (se a net não engana!)