quinta-feira, 31 de março de 2016





Pequenas palavras

De todas as palavras escolhi água,
porque lágrima, chuva, porque mar
porque saliva, bátega, nascente
porque rio, porque sede, porque fonte.
De todas as palavras escolhi dar.
De todas as palavras escolhi flor
porque terra, papoila, cor, semente
porque rosa, recado, porque pele
porque pétala, pólen, porque vento.
De todas as palavras escolhi mel.
De todas as palavras escolhi voz
porque cantiga, riso, porque amor
porque partilha, boca, porque nós
porque segredo, água, mel e flor.
E porque poesia e porque adeus
de todas as palavras escolhi dor.

Rosa Lobato de Faria






Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!

Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.

Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?

Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?

Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.


Natália Correia



quarta-feira, 30 de março de 2016





TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

Ferreira Gullar





Pois as distâncias não existem para a recordação; e somente o esquecimento é um abismo que nem a voz nem o olho podem atravessar.

Khalil Gibran




António Zambujo e Miguel Araújo - No Rancho Fundo




Animou a manhã fria e enevoada :D


quinta-feira, 24 de março de 2016






A noite acendeu as estrelas porque tinha medo da própria escuridão.

Mário Quintana









É Primavera
Nada mudou, só os rebentos novos nas árvores
As noites mais curtas e os dias mais quentes
Os campos estão verdes, pintados de flores silvestres
Chegaram as andorinhas, o sol tem um brilho mais forte!
Nasceram papoilas vermelhas junto aos caminhos
Nada mudou...




sábado, 20 de fevereiro de 2016




https://youtu.be/rjndLgIZnJw


Porque estou triste... perdemos amigos e pessoas de quem gostamos, temos outros que sofrem e passam maus momentos... enfim, a vida é só mesmo uma passagem!
É bom termos pessoas que passam por ela e deixam marcas profundas em nós!!!
Um abraço apertado e uma bjunfa pa tu...







terça-feira, 16 de fevereiro de 2016





Longe, sob o sol, estão minhas mais elevadas aspirações. Talvez não as alcance, mas posso ver sua beleza, crer nelas e procurar seguir seu rumo.

Louisa May Alcott






Imaginação, muitas vezes, leva-nos a mundos que nunca existiram. Mas sem ela não vamos a lugar nenhum.

Carl Sagan




segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016




Muitas vezes as respostas são tão silenciosas quanto o pensamento.


Rita Padoin







Vou fazer da minha alma um baú
Para a tua alma,
Do meu coração uma estada
Para a sua beleza,
Do meu peito um sepulcro
Para as tuas penas.
Amar-te-ei como as pradarias amam a primavera,
E viverei em ti a vida de uma flor
Sob os raios do sol.
Cantarei o teu nome como a jusante
Canta o eco dos sinos;
Ouvirei a linguagem da tua alma
Como a praia olha
A história das ondas.

Kahlil Gibran




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Diário triste de um gato




O que eu ainda não sabia sobre os seus pensamentos... ;)





"Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa..."


Lenine





quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016



Quem me quiser há-de saber as conchas
cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
à saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber a coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.

Rosa Maria de Bettencourt Rodrigues Lobato de Faria



Renee Olstead - Summertime